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Blog de O Gladiador
  

Parodiando a Canção do Exílio, de Gonçalves Dias

 

PARÓDIA

Minha terra tem políticos diferentes dos de cá,

Onde cantam as vantagens do poder de intimidar.

Os intelectuais da minha terra até tentam mudar,

Mas pobre de educação que nem de perto chegam lá.

A dominação é intensa,

Nem direito eles têm de pensar,

Tenho sorte de aqui estar, um dos poucos que vem de lá.

 

Tenho saudades de lá,

Porque aqui não olho as estrelas,

Só a fumaça que domina o ar,

Nem os pássaros conseguem cantar,

De tanta poluição que há.

 

Morro só de pensar,

Naquele povo sofrido,

Onde a liberdade de se expressar,

É apenas um ato de dominar.

 

Quem sabe um dia eu volte,

Para isso mudar,

São muitos anos para estudar,

Só espero não me deixar dominar.

 

Cristiano Pereira, em São Luís – MA, 2007.

 



Escrito por Cristiano Pereira às 15h05
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Alcântara, uma cidade histórica de herança cultural fortíssima, que é essencialmente influenciada pela população quilombola

 

Quando chega o final de semana estamos cansados, geralmente, queremos ficar em casa. Mas se você desejar passear tem as belezas naturais da Ilha de Upaon-Açu, como é chamada oficialmente a ilha de São Luís, que possui quatro municípios: Raposa, Paço do Lumiar, São José de Ribamar e São Luís do Maranhão. Porém, existe outra opção, a cidade de Alcântara separada apenas pela Baía de São Marcos. Por onde você pode viajar de barco, por aproximadamente uma hora, embarcando pela Rampa Campos Melo, na Beira-Mar.

A cidade de Alcântara possui traços históricos que resistem ao tempo, à ação humana e aos avanços tecnológicos. Dessa forma se mantém como um importante ponto turístico do Estado do Maranhão, por valorizar a sua origem cultural, já que a população do município foi formada essencialmente pela população quilombola descendente dos escravos que vieram trabalhar nas fazendas e nas casas dos grandes comerciantes, deixando sua herança cultural. Isso ocorreu nas áreas das fazendas que foram ocupadas pelos ex-escravos, dando origem a muitos povoados, ainda hoje existentes, como Cajueiro, Mamuna, Canelatiua, Miritiua etc.

Inicialmente a cidade foi habitado por índios tupinambás, numa aldeia chamada Tapuitapera. Já no início do século XVII  os franceses estabeleceram-se por lá, sendo expulsos mais tarde pelos portugueses. Em seguida, a povoação foi elevada a vila de Santo António de Alcântara em 1648, e durante o período colonial foi um importante centro agrícola e comercial. Atualmente o município de Alcântara tem 21.349 habitantes, em uma área de mais de 148,3 mil hectares, sendo que 53% desta área, o que equivale a 78,1 mil hectares, pertence às comunidades quilombolas. O restante está destinado ao Centro de Lançamento Aeroespacial de Alcântara.

 



Escrito por Cristiano Pereira às 18h07
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   FOTOS DE ALCÂNTARA - 2009

 

Baía de São Marcos – Foto: Cristiano Pereira

 

Praia Grande, São Luís - MA – Foto: Cristiano Pereira

 

Embarque da Lancha com destino a Alcântara Baía de São Marcos – Foto: Kadu Oliveira

 

 

Acomodação dos passageiros na parte superior da Lancha – Foto: Kadu Oliveira

 

 

Outro barco que faz a viagem São Luís – Alcântara – Foto: Cristiano Pereira

 

 

Próximo ao desembarque em Alcântara – Foto: Cristiano Pereira

 

 

Em 1º plano o Professor Valdemir Veloso e Gilson Teixeira – Povoado Cajueiro - Foto: Cristiano Pereira

 

 

Produção do Azeite de Côco – Povoado Cajueiro – Foto: Kadu Oliveira

 

 

Preparo da mandioca para a produção da farinha d’água – Povoado Cajueiro - Foto: Kadu Oliveira

 

 

Kadu Oliveira, estudante de jornalismo da Faculdade São Luís – Povoado Cajueiro – Foto: Cristiano Pereira

 

 

Quebradeiras de Côco – Povoado Cajueiro – Foto: Kadu Oliveira

 

 

Povoado Cajueiro – Foto: Kadu Oliveira

 

 

“O pensador”, Cristiano Pereira, estudante de jornalismo da Faculdade São Luís - Foto: Kadu Oliveira

 

 

“O pensador II”, Kadu Oliveira, estudante de jornalismo da Faculdade São Luísn - Foto: Cristiano Pereira

 

 

Ruínas de Alcântara – Foto: Kadu Oliveira

 

 

Igreja Centenária – Alcântara – Foto: Kadu Oliveira

 

 

Traço histórico colonial de Alcântara – Foto: Kadu Oliveira

 

 

Traço histórico colonial de Alcântara – Foto: Kadu Oliveira

 

 

“O Pelorinho” de Alcântara – Foto: Criistiano Pereira

 

 

Traço histórico colonial de Alcântara – Foto: Kadu Oliveira

 

 

Pexei na telha – comida típica de Alcântara

 

 

Cristiano Pereira e Kadu Oliveira, estudantes de jornalismo da Faculdade São Luís

 



Escrito por Cristiano Pereira às 16h45
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Como poeta, meus urubus me fazem sonhar

 

CRÔNICA

Andando pela minha cidade, talvez nunca você notasse o quanto ela chora. São tantas mazelas sociais, buracos, lixões, águas que correm na sarjeta como verdadeiros rios de imundice, pessoas vivendo na rua sem dignidade. Só sendo um louco para enxergar tais ferimentos em São Luís. Foi isso que há 18 anos viu com seu olhar diferente Jorge Macau, quando em 1991 produziu o filme “Terra sem chuva”, interpretado pelo ator Uimar Júnior, no qual faz o personagem que hoje, chamamos de “diferente”, ou seja, um fugitivo de uma Casa de Saúde Mental passeando pela cidade.

Nas andanças que fazíamos na época do Colégio Gonçalves Dias, cujo nome é o mesmo da praça, na qual sentíamos o odor que era trazido pelo vento vindo do Jaracaty, naquela época era restaurante de muitos necessitados de São Luís, onde eram depositados os restos da burguesia da cidade.

Hoje, inverteram-se os papéis, porque lá existe agora um shopping, lugar de encontro das elites. O odor do bairro Jaracaty mudou para as bandas do aeroporto Cunha Machado, tornando-se mais perigoso, atraindo urubus que disputam vôos rasantes com as aeronaves, além de poluir os lençóis freáticos da taba de pirulito que virou São Luís, segundo afirmações dos especialistas do meio ambiente, com as construções irregulares de poços chamados artesianos os quais abastecem sítios e chácaras dos burgueses.

Seria um sonho imaginar uma Terra sem chuva diferente, sem problemas sociais; fartura na mesa de todos os ludovicenses. Pensaríamos como os Sheiks de Dubai, vivendo numa terra rica. Seria só mais um sonho de um poeta.

Deveria Jorge Macau filmar o Terra sem chuva II, para confirmar a hipocrisia de nossos políticos, e mostrar São Luís e o Maranhão como uma terra que não produz, onde só o interesse de permanecer no poder é o que interessa. Essa terra sem lei favorece o crescimento da violência, da fome, do desemprego, do analfabetismo.

Eu amo esta cidade, meus urubus, minha inspiração poética...”. Seria a afirmação nesse momento do personagem que vaga pelas ruas de São Luís, no filme de Macau, inspirados nos textos de Friedrich Nietzsche, filosófo alemão influente do século XIX.

 Cristiano Pereira, em São Luís – MA, março/2009.

 



Escrito por Cristiano Pereira às 17h12
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Oligarquia X Oligarquia, a derrota do povo maranhense, quiçá, do povo brasileiro

 

OPINIÃO

Na última terça-feira, 03 de março de 2009, em Brasília foram cassados os mandatos do Governador Jackson Lago e do seu vice Pastor Porto, eleitos em 2006 no Maranhão. O pedido foi uma ação do Grupo liderado pela Senadora Roseana Sarney, filha do Presidente do Senado Federal, José Sarney. Depois de várias sessões adiadas, finalmente os Ministros do STE – Supremo Tribunal Eleitoral julgaram o processo de cassação que perdurava algum tempo.

Os maranhenses aguardavam o desfecho de mais uma queda de braço entre as duas oligarquias, ou pode-se dizer duas frentes de poder. A primeira do Senador Sarney a qual durou quatro décadas alguns teimam em afirmar, desde o mandato de Sarney eleito na década de sessenta, Governador do Estado do Maranhão. A segunda representada pelo pedetista Jackson Lago a qual se iniciou em 1988 quando o mesmo foi eleito Prefeito de São Luís, capital do Estado. Naquele ano Jackson foi eleito concorrendo com o candidato apoiado pelo então, Presidente da República, José Sarney. A partir daí a oligarquia pedetista se perpetuou no governo municipal, com alguns rachas é verdade, mas nunca deixou de ocupar os principais cargos.

As batalhas políticas envolvendo estas duas forças já foram longe demais. Porque até o momento não se sabe quem está ganhando, o certo é que, o povo maranhense continua pobre, o Estado é último da Federação em IDH – Índice em Desenvolvimento Humano, segundo as Nações Unidas, ONU. Além disso, o Maranhão possui altas taxas de analfabetismo, dados fornecidos pelo Ministério da Educação. Enquanto isso, São Luís continua com aparência de província do século XVII, sem identidade própria invadida por caprichos dos poderosos que se beneficiam das políticas destes dois grupos. A capital ludovicense continua sendo uma cidade suja, com esgotos a céu aberto, sem planejamento habitacional, ruas cheias de buracos, engarrafamento em quase todas as principais avenidas.

Está na hora de surgir uma terceira força. Não se pode ficar a vida toda torcendo ou aguardando a derrota de pedetista ou sarneysista porque são oportunistas, nunca pensam no coletivo, mas na apropriação do Estado, tornando-o uma propriedade privada a serviço de seus interesses. Portanto, os intelectuais têm que sair das abas que estes poderes o cercam, não adianta reclamar sem reagir.

Cristiano Pereira, em São Luís – MA, março/2009.

 

 



Escrito por cristianopsantos às 17h45
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